Os aeroportos costumam ser compreendidos como espaços de trânsito: lugares de passagem onde milhares de pessoas permanecem apenas o tempo suficiente para seguir viagem. Frequentemente descritos como ambientes anônimos e desprovidos de identidade, eles parecem existir apenas para conectar um ponto a outro.
Este trabalho parte de uma perspectiva diferente.
Mais do que espaços de circulação, os aeroportos revelam-se como territórios onde culturas, idiomas, crenças e histórias individuais coexistem temporariamente. Pessoas de diferentes origens compartilham o mesmo espaço, orientando-se por uma linguagem composta de sinais, símbolos e códigos universais que tornam possível a comunicação mesmo quando as palavras deixam de ser compreendidas.
Nesse sentido, o aeroporto aproxima-se da metáfora de uma Nova Babel: não um lugar marcado pelo fracasso da comunicação, mas um espaço onde a diversidade humana encontra formas provisórias de convivência. Se a narrativa bíblica descreve a dispersão das línguas, o aeroporto representa o ponto onde essa dispersão se reencontra diariamente, ainda que de maneira transitória e fragmentada.
As fotografias não têm a intenção de documentar o cotidiano desses espaços, mas o aeroporto surge como um território liminar, um espaço suspenso entre partida e chegada, presença e ausência, permanência e deslocamento, onde o tempo parece desacelerar e as identidades tornam-se momentaneamente provisórias.